quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

#POESIA DAS CORES



Gente que pinta, gente que canta 
muitas cores, poucas palavras.
Passando em rabiscos na lousa da vida.

Há tantos tons para uns e tintas só pastéis para outros.
as cores que eram fortes agora pálidas,
na mente só este tom monocromático
a realidade, colore diferente
as ilusões são sinfonia sem Maestro.

Gente que pinta, gente que canta
luz, sombra, tom, estrelas,
sentimentos na fissura escura da solidão
sombras que espelham nas paredes as mesmas imagens amorfas
ecos, conflitos, gritos, perguntas, esperanças,
cores nas pedras pintadas do ancestral irmão.

Caverna das ilusões
Gente que já passou, gente que chega
sempre a mesma sentença milenar
medo de sentir os sentimentos
Silêncio na voz da sombra,
Necessidade de apontar novos rabiscos a seguir
conquistar a cor perdida.

Vontade de expressar o arco íris do viver.
No abandono da ilusão de imagens orvalhadas que o choro escondeu.
Revendo sentimentos.
Intuição silenciosa da verdade
Tanto signos, tantos significados, tantos tons.
Inefável poesia das letras , maravilhosa alquimia das cores.
Caleidoscópio de emoções.

Diferenças no olhar,
sensibilidade no falar,
encontro com as cores,
Consciência a despertar

Mais um dia que nasce,
raio solar em silêncio
irradia a verdade das cores
afirma a existência.
Sopro de luz, presença do Amor.
Vento da renovação .

Gente que vem e gente que fica .

Jane.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

#VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E PANDEMIA 2020/2021


    Não houve país que escapasse da pandemia de coronavírus, assim como nenhum ficou à margem da explosão de agressões machistas que veio com a doença, um flagelo que se agravou em todo o mundo devido às restrições impostas pela covid-19.

 A violência contra a mulher  é herança de um modelo construído historicamente, forjado pela instituição patriarcal.
     Porém novos fluxos para diálogos vem se tornando permeáveis , ao discurso da intolerância e opressão na busca  de uma equidade , ou seja, retidão , imparcialidade , ética e justiça  sobre o humano, NÃO DIGO SOBRE O FEMININO, MAS O HUMANO, QUE ENVOLVE A   NOSSA ESPÉCIE,  que precisa revisitar valores éticos, estéticos, solidários, do bem do belo, que  através de uma retomada a sua soberana razão, logos, perceba a necessidade de  discussões em  coletivos, movimentos sociais, grupos feministas, grupo de classes trabalhadoras, sindicatos, movimentos inter-religiosos, movimentos etnicos, onde a organização social civil  e institucional se organizem para fazer circular  tais ações reflexivas, que tratem a nossa civilização com o respeito que ela tem, mas insistem em não ver, ignorar, talvez seja a grande autossabotagem que estamos fazendo  conosco contra a Mãe Terra, que vem agora, nos cobrar a conta.
 A devolutiva  dessas ações será a de 
 cobrar do Estado a promoção de políticas públicas que vejam a pluralidade das constituições familiares em seus vários arranjos e  suas necessidades.

   Herdamos  todas as forças de opressão e conseguimos, consolidar, construir e infelizmente reproduzir, quais sejam os preconceitos de raça, categorias de gêneros , e suas relações de poder, onde nossas crenças e ideologias "fecharam as portas ao diálogo" e ao desenvolvimento do  processo civilizatório, que sempre nos convida  a ver nossa humanidade, nos sinalizando sempre que verdadeiramente somos filhos da mãe  TERRA, logo somos todos iguais. Foi preciso que números alarmantes de violência contra a mulher surgissem na pandêmia covid-19, para reacender a chama do diálogo. Desvelar o que já estava exposto, mas invisível , tamponado às estatísticas e ao poder público.
    Mas parece que a modernidade líquida se apossou de nosso ego, nos tornando seres mais apegados, consumistas, opressores e naturalmente menos questionadores e solidários. Somos seres de relação, interdependentes, queiramos ou não.
        A identidade de gênero forma-se a partir do entendimento da convicção que se tem de pertencer a um sexo, sendo, pois, uma construção social feita a partir do biológico. Neste processo, o sexo e os aspectos biológicos ganham significados sociais decorrentes das possibilidades físicas e sociais de homens e  mulheres, delimitando suas características e espaços onde podem atuar.
     Recebemos do patriarcado o modelo machista, os pecados da igreja, a subalternidade da mulher, como algo menor, sem direitos, sem voz, e assim gerações construíram esta sociedade que hoje é impregnada de preconceitos e desvalorização das mulheres, que pouco a pouco na contramão vieram alcançando seus direitos sociais, políticos e trabalhistas ao longo dos anos por meio de movimentos reivindicatórios, onde ocupam seus espaços com delicadeza e firmeza, reconhecendo seu protagonismo sociopolíticocultural no processo civilizatório.
  As situações de violência contra a mulher resultam, principalmente, da relação hierárquica estabelecida entre os sexos, carimbada ao longo da história pela diferença de papéis instituídos socialmente a homens e mulheres, fruto da educação diferenciada.       Assim, o processo de machismo e feminismo, desenvolve-se por meio da escola, família, igreja, amigos, vizinhança e veículos de comunicação em massa.
  Violência contra a mulher se manifesta de  diversos tipos  – desde assédio moral até homicídio – que se manifestam contra ela porque ela é mulher. É uma forma de violência de gênero, ou seja, quando uma pessoa é agredida por ser – mulher, transexual, travesti, homossexual – pelo sexo oposto. 
Esses crimes são a maior maneira de violar os direitos humanos da mulher, sua integridade física, psicológica e moral.
   A Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou seus esforços contra essa forma de violência, na década de 50, com a criação da Comissão de Status da Mulher que formulou entre os anos de 1949 e 1962 uma série de tratados baseados em provisões da Carta das Nações Unidas — que afirma expressamente os direitos iguais entre homens e mulheres e na Declaração Universal dos Direitos Humanos — que declara que todos os direitos e liberdades humanos devem ser aplicados igualmente a homens e mulheres, sem distinção de qualquer natureza.
  Marco importante também na promoção dos direitos das mulheres  foi a DECLARAÇÃO E PLATAFORMA  DE AÇÃO  DE PEQUIM,  elaborado em 1995, durante a IV Conferência mundial sobre a mulher em Pequim, China. O evento ainda é o mais importante momento na conquista dos direitos das mulheres no mundo: pelo número de participantes que reuniu, pelos avanços conceituais e programáticos que propiciou, e pela influência que continua a ter na promoção da situação da mulher. Por exemplo, tanto a afirmação de que os direitos das mulheres são direitos humanos, quanto o objetivo de empoderamento da mulher, provêm deste encontro. Ali, foi feito um acordo adotado por 189 governos comprometidos com a promoção da igualdade de gênero.  Lá se vão 25 anos e tão pouco caminhamos para as metas propostas.
      Em 2010 temos a ONU Mulheres – A ONU Mulheres foi criada,  para unir, fortalecer e ampliar os esforços mundiais em defesa dos direitos humanos das mulheres. Alcançar a igualdade de gênero, empoderar todas as mulheres e meninas e realizar os seus direitos humanos é a missão incorporada pela ONU Mulheres em relação à Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e aos 17 objetivos globais. Como contribuição à Agenda 2030, a ONU Mulheres está promovendo parcerias para acelerar e concretizar os compromissos de governos, empresas, sociedade civil e outros setores, para a eliminação das desigualdades de gêneroonumulheres.org.br 

      A violência psicológica é tão perversa e cruel quanto a física.
      A literatura especializada em saúde mental, vem demonstrando associação de risco entre a experiência da violência e o desenvolvimento de agravos, de ordem física e mental, os quais repercutem na diminuição de "anos saudáveis de vida" das mulheres    As consequências da violência doméstica são agravos que vão desde um empurrão leve até à morte.
 Sendo de natureza crônica, a agressão à mulher vai além dos traumas e dos agravos visíveis (quebraduras, torções), estando associada a problemas como: baixo peso ao nascer (dos filhos), problemas gastrintestinais (úlceras, colites), queixas ginecológicas (abortos, gravidezes indesejadas e repetidas em curto espaço de tempo, doenças sexualmente transmissíveis, hemorragias, lesões, dores pélvicas, leucorréias repetidas e infecções), abuso de álcool e outras drogas, queixas vagas, depressão, insônia, suicídio, sofrimento mental, lesões e problemas crônicos, como distúrbios alimentares, dores abdominais e de cabeça, e até artrite, hipertensão e doenças cardíacas .
       Muitas mulheres  relatam que ambientes familiares que já eram violentos antes da pandemia ficaram mais agressivos diante da falta de dinheiro –  e do convívio em tempo integral dos familiares dentro de casa.  
     Na  atual Pandemia , relatórios apontam que  no Brasil,  São Paulo , desde a quarentena em 24 de março 2020 , a Policia Militar registrou aumento de 44,9 % no atendimento a mulheres vítima de violência, o total de socorros prestados passou de 6.775 para 9.817.      Casos de feminicídios, que é  um termo de crime de ódio baseado no gênero, amplamente definido como o assassinato de mulheres em contexto de violência doméstica ou em aversão ao gênero da vítima , misoginia, dentro de seus contextos sociais específicos, subiram de 13 para 19 ( 46,2%). No Rio de Janeiro o aumento foi de 50% nos casos de violência doméstica , logo nos primeiros dias da quarentena. 

Aumento da violência doméstica no mundo 2020

Abaixo, dados da ONU Mulheres e da OMS sobre o aumento da violência doméstica nos países afetados pela pandemia de coronavírus:
#Na França, o registros de casos de violência doméstica aumentou em 30% desde 17 de março, quando o país decretou a quarentena – em Paris, o aumento foi de 36%.
#Na China, as denúncias de violência contra a mulher triplicou durante o período de confinamento, entre janeiro e começo de abril.
#Na Argentina, houve aumento de 25% nas denúncias telefônicas desde 20 de março, quando o país adotou medidas de isolamento.
#Em Singapura, o aumento nos registros de denúncias foi de 30% em março.
#Na Malásia e no Líbano, as denúncias de violência contra a mulher duplicaram durante o período de confinamento.
#No Canadá, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, autoridades governamentais relatam crescentes denúncias de violência doméstica e aumento da demanda para abrigo às vítimas.

       Estratégias para enfrentar a violência doméstica :
No dia 14/04/2020, a organização feminista brasileira Think Olga lançou um relatório reunindo dados sobre o aumento da violência contra as mulheres durante a pandemia de coronavírus. 
No documento, a entidade lista estratégias para as vítimas de violência doméstica adotarem :
#trazer alguém da família para casa;
#esconder objetos pontiagudos;
#retirar de casa possíveis "gatilhos" e potencializadores, como bebidas alcoólicas e drogas;
#avisar familiares e vizinhos sobre o que está acontecendo (em caso de episódios de violência);
#e manter contato com sua rede de apoio por meio de telefone e aplicativos, e-mail e outras redes sociais.

    Tanto a ONU Mulheres quanto a OMS e organizações feministas defendem que, durante a pandemia, a solução não é pôr fim ao isolamento social, mas, sim, manter ativos os serviços de proteção à mulher, aumentar o investimento em serviços on-line, declarar abrigos como serviços essenciais e oferecer suporte às ONGs locais de combate à violência doméstica.

                Neste momento redes solidárias fazem a diferença .


      #VizinhaVocêNãoEstáSozinha foi organizado por um coletivo de mulheres para formar um espaço de acolhimento e solidariedade.

    Em abril 2020 duas deputadas brasileiras, protocolizaram ação ao poder público para providenciar vagas de hospedagem em hotéis ou pousadas para estas mulheres vítimas de violência , que em quarentena, não teriam para onde ir.
    Importante também, é a aplicativo Direitos Humanos BR- Do Ministério da Mulher, Famíla e Direitos Humanos. Lá há a possibilidade de denúncia, envio de fotos e vídeos. Está disponível para Android e iOS.
    Quem sofre violência doméstica pode procurar ajuda ligando 180, serviço de informações e denúncia da Central de Atendimento à Mulher funciona 24h por dia e garante o anonimato da vítima.
    Em casos de emergência, é necessário ligar para a polícia no número 190 ou procurar uma das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), que têm caráter preventivo e repressivo, devendo realizar ações de prevenção, apuração, investigação e enquadramento legal dos casos de violência contra a mulher, respeitando os direitos humanos e os princípios do Estado Democrático de Direito. Vizinhos, conhecidos ou familiares também podem fazer a denúncia.
   Conversar com amigos e familiares confiáveis também são outras vias de auxílio, assim como procurar órgãos públicos, tais como:
Centros Especializado de Atendimento à Mulher: os Centros de Referência são espaço de acolhimento e atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência;
Casas-Abrigo: locais seguros que oferecem morada protegida e atendimento integral a mulheres em risco de morte iminente em razão da violência doméstica. O serviço é sigiloso e temporário, até que a vítima tenha condição de retomar o curso de sua vida;
Casas de Acolhimento Provisório: oferecem abrigo temporário - de até 15 dias -  para mulheres em situação de violência, acompanhadas ou não de filhos, que não correm risco iminente de morte. Além de garantir a integridade física e emocional das vítimas, realiza diagnóstico dos casos para encaminhamentos necessários.
 Procure um  CRAS ( Centro de Referência de Assistência Social) que é
 responsável pela prevenção de situações de vulnerabilidade ou de risco social e também faz  encaminhamentos para a Rede Socioassistencial através de  serviços, programas, projetos e benefícios. Quase sempre há um em  seu território, bairro.
  No  CRAS   é oferecido  o Serviço de Atendimento e Proteção Integral às Famílias (PAIF), que envolve a escuta qualificada e o conhecimento dos processos de vida e relações sociais em que uma família está inserida.


EM 2021, OS ÍNDICES SÓ AUMENTARAM. 
AS ESTATÍSTICAS OFICIAIS DEVEM SAIR  NO INÍCIO DE 2022.
 MAS O JORNALISMO A CADA DIA NO DECORRER DE 2021 DENUNCIAVA A VIOLÊNCIA CRESCENTE  CONTRA A MULHER.


Jane





quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

# FENOMENOLOGIA -Edmund Husserl - Parte I

 

    Gosto muito do pensar fenomenológico. Este pequeno recorte de  texto faz parte de minha tese de Mestrado.  

       Principalmente porque Husserl vai na contramão  na época  que via a verdade  e a neutralidade como caminhos para a ciência. Seu posicionamento de propor uma fenomenologia transcendental, como princípio da intencionalidade da consciência, em busca de sentidos possíveis, abre o olhar  rompendo a visão positivista.

   Pode-se ressaltar, porém, que a contribuição de  Edmund Husserl  é  propor uma fenomenologia transcendental.

   O conceito  e formação metodológica do método da fenomenologia  torna-se compreensível e aprofundado  a partir  do filósofo Edmund Husserl (1859-1938), que também trabalhava como matemático, cientista, pesquisador e professor das faculdades de Göttingen e Freiburg im Breisgau, na Alemanha.

    Ele elabora  uma crítica à filosofia positivista e ao método experimental, percebidos como um objetivismo científico; ao mesmo tempo, faz uma proposta endereçada à formulação de uma perspectiva racional nova, radicalmente humana , a filosofia como ciência das vivências intencionais.

     Husserl, define a fenomenologia como uma ciência rigorosa, que se inicia pela descrição do vivido. Ela busca a descrição dos atos intencionais da consciência , e dos objetos por ela visados, ou seja, pela análise noético-noemática.

    A fenomenologia prossegue no reconhecimento de que estes atos são de um eu que pensa o mundo, e que seu estudo compõe o conjunto de análise sobre o ego transcendental, ou o eu puro, distinto, pois do eu empírico ou natural estudado pela psicologia.

   Mas o que é um fenômeno para Husserl? É aquilo que surge para uma consciência, o que se manifesta para essa consciência, como resultado de uma interrogação. Do grego "phainomenon" significa discurso esclarecedor a respeito daquilo que se mostra para o sujeito interrogador. Do verbo "phainesthai" como mostrar-se, desvelar-se. Fenômeno é, então, tudo o que se mostra, se manifesta, se desvela ao sujeito que o interroga.

    A fenomenologia quando segue esta linha de pensamento, voltada não só para as questões lógicas, mas também para as questões existenciais, transcendentais e intuitivas do homem, corta assim, o elo com o racionalismo dogmático.

   Segundo Creuza Capalbo, " a fenomenologia nos convida a deixar as coisas aparecerem com as características que se dão na transparência, isto é, deixando que as essências se manifestem na transparência do fenômeno."

     Ela,  é pois, esta possibilidade de investigar o homem em seu mundo vivido, no seu plano transcendental, em sua cotidianeidade, em sua consciência atuante, em sua intencionalidade, em sua subjetividade e intersubjetividade, enfim, o homem  é visto em seu aspecto ontológico.

   Surge  então em decorrência da necessidade de se repensar o mundo e o homem como um processo de unidade e não como um processo dividido. O seu objetivo é pois, aproximar o homem sucessivamente dos fenômenos que aí estão e desvendá-los, formando assim, no indivíduo a sua consciência identificadora-crítica-reflexiva.

    A fenomenologia procura não  se limitar aos fenômenos, fechando a consciência em seus próprios estados, mas de tratar o que nos aparece a consciência como fato universal. Ela renuncia o que nos aparece a consciência como fato universal. Ela renuncia o absoluto e procura nos fenômenos a vida de acesso ao ser e procura a racionalidade na sua própria contingência ontológica.

    A visão fenomenológica vai além desta relação significado/significante utilizada na linguística clássica, ela nos possibilita refletir sobre a nossa experiência do vivido, não nos reduzindo simplesmente ao plano de nossa consciência, mas nos mostrando um horizonte que também lhe escapa, nos possibilitando uma constante crítica sobre a própria evidência do nosso cogito.

    Portanto, Fenomenologia é tudo o que se mostra ou se torna visível para a consciência em sua individualidade. Assim, tanto os objetos como os atos da consciência, sejam intelectivos, volitivos ou afetivos, são fenômenos, e o estudo ou a ciência dos fenômenos chama-se Fenomenologia, que se detém na análise do puramente vivido ou experimentado, nos significados e na percepção do ser humano.

    Sua preocupação  é de descrever o fenômeno e não de explicá-lo, não se preocupando com o buscar relações causais. A preocupação será no sentido de mostrar e não em demonstrar, e a descrição prevê ou supõe um rigor, pois, através da rigorosa descrição é que se pode chegar à essência do fenômeno. 

      A fenomenologia existencial é uma corrente filosófica que considera o ser-no-mundo e entende o sujeito como resultado de relações intersubjetivas. 

     Com a filosofia de Husserl  fica o legado destes conceitos e métodos  para a Psicologia representada por Michael Whertheimer (1880-1943) , torna-se o principal articulista da escola Gestalt, fazendo amplo uso de seus métodos.

    Assim como o Psiquiatra francês Karl Jasper (1883-1969), que também se apropriou da Fenomenologia de Husserl e Ludwig Binswanger (1881-1966), psiquiatra que fundamenta as bases fenomenológicas existenciais e  Medard Boss (1903-1990) Psiquiatra e psicanalista cria a DASEINANÁLISE - Daseinnanalyse, onde vai à análise do ser-aí (Dasein) , com a filosofia de Martin Heidegger (1889-1976). A visão desta linha de pensamento fenomenológico-existencial, não é só a visão da subjetividade, é também a experiência existencial que  deve ser  indissociável de seu mundo, do seu ser aqui e agora.

Jane

Husserl



sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

# A MENTE EM AÇÃO- JOANNA DE ÂNGELIS


"Mais graves que as viroses habituais são aquelas que têm procedência no psiquismo desvairado.

Por ser agente da vida organizada, a mente sadia propicia o desenvolvimento das micropartículas que sustentam com equilíbrio a organização somática, assim como, através de descargas vigorosas, bombardeia os seus centros de atividade, dando curso a desarmonias inumeráveis.

Mentes viciosas e pessimistas geram vírus que se alojam no núcleo das células, e as destruindo se espalham pela corrente sanguínea, dando surgimento a enfermidades soezes.

Além desta funesta realização, interferem na organização imunológica e, afetando-a, facultam a agressão de outros agentes destruidores, que desenvolvem síndromes cruéis e degenerativas.

Além dos vícios que entorpecem os sentimentos relevantes do homem, perturbando-lhe a existência, o tédio e o ciúme, a violência e a queixa, entre outros hábitos perniciosos, são responsáveis pela desestruturação física e emocional da criatura.

O tédio é resultado da ociosidade costumeira da mente acomodada e preguiçosa. Matriz de muitos infortúnios, responde por neuroses estranhas e depressivas, culminando com o suicídio injustificável e covarde. Entregue ao tédio, o paciente transfere responsabilidades e ações para os outros, deixam dose sucumbir na amargura, quando não se envenena pela revolta contra todos e tudo.

A mente, entregue ao ciúme, fomenta acontecimentos que gostaria se realizassem, afim de atormentar-se e atormentar, aprisionando ou perseguindo a sua vítima.
Por sua vez, desconecta os centros de equilíbrio, passando à condição de vapor dissolvente da confiança e do amor.

A violência é distúrbio emocional, que remanesce do primitivismo das origens, facultando o combustível do ódio, que se inflama em incêndio infeliz, a devorar o ser que o proporciona.

Quando isto não ocorre, dispara dardos certeiros nas usinas da emoção, que se destrambelha, gerando vírus perigosos que se instalam no organismo desarticulado e o vencem.

A queixa ressuma como desrespeito ao trabalho e aos valores alheios, sempre pronta a censurar e a fiscalizar os outros, lamentando-se, enquanto vapores tóxicos inutilizam os núcleos da ação, que se enferrujam e perdem a finalidade.

Há todo um complexo de hábitos mentais e vícios morais, prejudiciais, que agridem a vida e a desnaturam.
É indispensável que o homem se resolva por utilizar do admirável arsenal de recursos que possui, aplicando os valores edificantes a serviço da sua felicidade.

Vives consoante pensas e almejas. Consciente ou inconscientemente.
Conforme dirijas a mente, recolherás os resultados.
Possuis todos os recursos ao alcance da vontade.
Canalizando-a para o bem ou para o mal, fruirás saúde ou doença.
Tem em mente, no entanto, que o teu destino é programado pela tua mente e pelos teus atos, dependendo de ti a direção que lhe concedas."

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.  Joanna de Ângelis


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

#NÓS FAZEMOS O MUNDO


   Vamos colorir 

"Nós Fazemos o mundo.
Não pense: 
Ninguém me entende... 
Ninguém me ama....
Todos me desprezam..
O mundo está contra mim,,,
O mundo está dentro de você mesmo. As pessoas e o mundo são a imagem que você faz delas.
Se estiver alegre, notará que parecem sorrir para você. Se triste que o evitam. Até a Natureza se lhe afigura hostil.
Não se deixe abater. Deus está esperando sua reação. Ponha em ação as forças que tem.
Deus colocou o mundo dentro de nós para que pudéssemos colori-lo com as próprias tintas."

Lourival Lopes

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

#DE OLHOS FECHADOS - Crônica de ARTUR DA TÁVOLA


     " Há centenas de situações na vida, momentos de espera, uma viagem, uma sesta, enfim, vários, em que podendo fechar os olhos, não o fazemos. E entretanto é uma maravilha.

  Aprendi por mim mesmo a ter dois comportamentos de olhos fechados. Um é o da meditação: deixo fluir o que me vem à mente, sem exercer qualquer controle racional ou pensamento dirigido. O que a mente fizer jorrar como uma fonte de água, é aceito sem censura. Nada de dirigir o pensamento para algo, um problema, uma recordação. A mente em seu fluir errático é que comanda. Às vezes o fluxo começa desordenado e caótico mas com uns dez minutos, tudo vai se ajeitando e a gente pode ou não até entrar no sono fisiológico. O descanso que se segue é inimaginável. No caso de entrar no sono fisiológico, isto é, dormir um pouco ou cochilar, basta um minuto de desligamento total para que um fluxo de energia nos invada, prazenteiro. Mas se não cochilar, tudo bem. O fato de os pensamentos dimanarem livremente tem um potencial enorme de descanso e pacificação. E muitas vezes sem que se tenha fechado os olhos com essa finalidade, aparece magicamente a solução para algo que inquietava ou espoca, naturalmente e sem esforço, uma boa idéia. É formidável.   

  O outro comportamento que aprendi por mim mesmo, de olhos fechados é o do transporte e da sintonia. Aqui, em vez de deixar o pensamento fluir venha como vier, eu cenarizo, sim, faço um cenário imaginário, fixo-o bem na memória, com detalhes, e ali entram coisas, lugares e pessoas reais, vivas ou mortas. Ou então busco uma sintonia com o que me parece ser uma corrente de sintonia proveniente de espíritos de muita luz. E faço, sim, algum esforço de concentração para entrar em sintonia com aquela vida, seja atual ou remota. Por exemplo: certa vez, entrei, numa suave manhã de outono em uma Igreja pequena que existe numa ladeira de Santa Tereza. Ninguém lá. A paz era tanta que jamais me esqueci do fato. Pois de olhos fechados volta e meia retorno à Igreja e lá coloco mentalmente quem desejo, rezamos juntos ou pura e simplesmente apreciamos a paz. Tento reter e ampliar a sensação lá sentida. Retenho. E amplio. E como nesta experiência, repito muitas outras de minha vida. Por exemplo: amei, emocionado, a cidade de Bruges, na Bélgica. Pois para lá me transporto mentalmente, levo quem quero, vivo ou morto e faço um certo esforço (relativo) de recordar ruas passagens, aquele rio, algumas árvores inesquecíveis, converso com as pessoas ou a pessoa a quem levei e ambos vibram em uníssono com um sentimento comum que é mais um assentimento que outra coisa.

   Cito esses poucos exemplos mas possuo dezenas de cenários para onde me transporto de olhos fechados e vivencio tão fortemente que ao voltar para este mundo real chego a sentir pena de interromper a viagem. Terrível é quando chega alguém e interrompe tudo falando comigo ou se sai para a pior das brincadeiras para quem medita: “Acorda, isso não é hora de dormir”. Outro campo maravilhoso para os olhos fechados é a música. Não duvidem. Ouvir música de olhos fechados, deixando o pensamento livre é uma das maiores felicidades da vida.

    E felicidade não é para quem quer. É para quem pode…"


Artur da Távola, o pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros, foi um advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e político brasileiro. Faleceu em  9 de maio de 2008, Rio de Janeiro.
Achei essa crônica inspiradora, assim como o Artur  fazia, eu também tenho os meus lugares de transporte afetivo e sempre vou  para Berlin, passeio pelas ruas, parques, sento em cada banco de praça que vejo, admiro sua arquitetura, monumentos e lembro das pessoas que via pelo ônibus andando de bicicleta.  Sempre me lembro de uma jovem de bicicleta que sempre usava uma flor na cabeça, uma tiara acho. Do respeito ao trânsito .Chovendo, sem carro vir, os pedestres esperavam o sinal abrir.  Mas  lembro que certo dia,  uma pessoa resolveu furar essa regra e um senhor , já idoso, aguardava conosco o sinal abrir, falou em seu alemão incompreensível várias palavras , que pelo  seu tom  de voz deveria  ser algo bem censurável para aquele ato.

 Vejo sempre um casal  muito bonito, de uns 75 anos os dois, super atléticos, musculosos, chegando  de bicicleta com várias mochilas, acho que estavam mochilando pela Alemanha. Achei o máximo, acompanhei enquanto pude, todos os movimentos deles.  
Outro lugar que sempre visito é a praia de Atafona, em São João da Barra, RJ, as árvores casuarinas, o silêncio cortado pelas ondas fortes do mar, as dunas , o povo cortês.
 Lugares bons para ancorar o espírito, afinal  o pensamento é livre e reabastece-lo de lembranças positivas, afirmativas de afeto e amor nos transporta para o sonhar "acordada",  acessar memórias  projetadas em um  tempo criado por nós.
E quando desperta, as fotografias acendem o encanto, que se  transformam em transportes novamente.
Creio que cada um deve ter o seu refúgio  de paz,  de memórias afetivas , de conversar com elas. É tão reconfortante.
Jane

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

#AOS VELHOS... De Rubem Alves

   


   O tempo se mede com batidas. Pode ser medido com as batidas de um relógio ou pode ser medido com as batidas do coração. Os gregos, mais sensíveis do que nós, tinham duas palavras diferentes para indicar esses dois tempos. Ao tempo que se mede com as batidas do relógio - embora eles não tivessem relógios como os nossos - eles davam o nome de "chronos". Daí a palavra "cronômetro". O pêndulo do relógio oscila numa absoluta indiferença à vida. Com suas batidas vai dividindo o tempo em pedaços iguais: horas, minutos, segundos. A cada quarto de hora soa o mesmo carrilhão, indiferente à vida e à morte, ao riso e ao choro.

    Agora os cronômetros partem o tempo em fatias ainda menores, que o corpo é incapaz de perceber. Centésimos de segundo: que posso sentir num centésimo de segundo? Que posso viver num centésimo de segundo? Diz Ricardo Reis, no seu poema "Mestre, são plácidas..." (que todo dia rezo): "Não há tristezas nem alegrias na nossa vida..."    Estranho, que ele diga isso. Mas diz certo: o tempo do relógio é indiferente às tristezas e alegrias. Há, entretanto, o tempo que se mede com as batidas do coração. Ao coração falta a precisão dos cronômetros. Suas batidas dançam ao ritmo da vida - e da morte. Por vezes tranqüilo, de repente se agita, tocado pelo medo ou pelo amor. Dá saltos. Tropeça. Trina. Retorna à rotina. A esse tempo de vida os gregos davam o nome de "kairós" - para o qual não temos correspondente: nossa civilização tem palavras para dizer o tempo dos relógios: a ciência.

   Mas perdeu as palavras para dizer o tempo do coração. "Chronos" é um tempo sem surpresas: a próxima música do carrilhão do relógio de parede acontecerá no exato segundo previsto. "Kairós", ao contrário, vive de surpresas. Nunca se sabe quando sua música vai soar. Foi o aniversário da Mariana, minha neta. O relógio me diz, com precisão, o número de segundos decorridos desde o seu nascimento. Mas o meu coração nada sabe sobre esses números. E, se souber, os números não me dirão nada. Quando eu me lembro, é como se tivesse acabado de acontecer.
 
   Disso sabia o Riobaldo, herói do Grande Sertão - Veredas, jagunço. Sabia, sem saber, que "chronos" não se mistura com "kairós": "A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância."
 
   Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data." O Sérgio, meu filho, pai da Mariana, me contou que olhando para uma fotografia dela, quase mocinha, de repente compreendeu que estava ficando velho. Claro que ele sabe da idade dele. É só fazer as contas. Quem sabe somar e multiplicar tem a chave para entender as medições de "chronos".
 
   Além disso, havia o espelho: na sua imagem refletida estão as marcas da passagem do tempo, inclusive o cabelo, já branco, antes da hora. Mas o coração dele ainda não havia percebido. Coração não entende "chronos". Coração entende vida. Foi o fotografia da filha, menina que já tem nove anos, que de repente lhe produziu "satori": o terceiro olho dele se abriu, ele ficou iluminado: viu-se velho. Sentiu que o tempo passara pelo seu próprio corpo, deixando-o marcado. E chorou. Riobaldo de novo: "Toda saudade é uma espécie de velhice".
 
  Velhice não se mede pelos números do "chronos"; ela se mede por saudade. Saudade é o corpo brigando com o "chronos". De novo o mesmo poema do Ricardo Reis: ele fala do "... deus atroz que os próprios filhos devora sempre". "Chronos" é o deus terrível que vai comendo a gente e as coisas que a gente ama. A saudade cresce no corpo no lugar onde "chronos" mordeu. É um testemunho da nossa condição de mutilados - um tipo de prótese que dói
 
  "Kairós" mede a vida pelas pulsações do amor. O amor não suporta perder o que se amou: a filha nenezinho, no colo, no meu colo, nenezinho e colo que o tempo levou - mas eu gostaria que não tivessem sido levados! Estão na fotografia, essa invenção que se inventou para enganar o "chronos", pelo congelamento do instante. 
 
  "Chronos" me diz que eu nada possuo. Nem mesmo o meu corpo. Se não possuo o meu próprio corpo - o espelho e a fotografia confirmam - como posso pretender possuir coisas com esse corpo que não possuo? Heráclito foi um filósofo grego que se deixou fascinar pelo tempo. Ele era fascinado pelo rio. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Como Vaseduva, o barqueiro que ensinou Sidarta. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar.
 
  Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando."  Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas eu sei que as crianças odeiam "chronos", odeiam as ordens que vêm dos relógios. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado. Mas as crianças só reconhecem, como marcadores do seu tempo, os seus próprios corpos. As crianças não usam relógios para marcar tempo; usam relógios como brinquedos. Brinquedo é o tempo do prazer: corpo com asas.

  Que maravilhosa transformação: usar a máquina medidora do tempo para subverter o tempo. Criança é "kairós" brincando com o "chronos", como se ele fosse bolhas de sabão... O ano chega ao fim. Ficou velho. "Chronos" faz as somas e me diz que eu também fiquei mais velho. Faço as subtrações e percebo de que me resta cada vez menos tempo.. Fico triste: saudade antes da hora.
 
   A Raquel, quando tinha três anos, me acordou para saber se quando eu morresse eu iria ficar triste! Lembro-me do verso da ... Cecília (Meireles), para a avó: "Tu eras uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se..." Aí "kairós" vem em meu socorro, para espantar a tristeza. Me diz que o tempo é uma criança. Me convida a brincar com "chronos". Brinquedo é tempo sem passado, tempo sem futuro, presente puro - a eternidade num momento. "Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure": Vinícius escreveu esse verso para a namorada. Mas é verdadeiro para toda a vida.
 
   Afinal de contas, a vida tem de ser uma namorada. O amor vale pelo momento. Não se mede pelo número das batidas do relógio. Não se mede pelo número de anos vividos. Cada momento de brinquedo é uma eternidade completa. Nesse 31 de dezembro, quando "Chronos", deus atroz, escancarar a sua bocarra para me devorar, dizendo que estou velho, eu me rirei dele: virarei criança, começarei a brincar e ele fugirá com o rabo no meio das pernas...”


Parte do livro: "As Cores do Crepúsculo – A estética do envelhecer


Rubem Alves Azevedo,  falecido em 2014 com 80 anos,  foi teólogo brasileiro, filósofo, educador, escritor e psicanalista. Alves nasceu em Boa Esperança, Minas Gerais. Ele foi um dos fundadores da Teologia da Libertação.









terça-feira, 16 de novembro de 2021

# VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO UM RECORTE NA PANDEMIA COVID 19

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 1. O ISOLAMENTO SOCIAL E A VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR

          A pandemia de covid-19 trouxe um aumento nos casos de violências contra a população idosa.  

        A pandemia em seu início com  o isolamento social   revelou  algumas repercussões negativas para a nossa saúde mental,  social,  e tantos outros aspectos  no campo relacional e econômico, apesar de extremamente necessário para contenção do vírus, logo no início da pandemia, seguido de outros cuidados essenciais como uso de máscara, distanciamento social e uso de álcool gel. É a nossa sobrevivência neste cenário ainda pandêmico.

      Dentre os aspectos que a pandemia nos afeta  destacamos o aumento da violência intrafamiliar contra crianças, adolescentes e mulheres.  A violência contra a pessoa idosa (VCPI) durante a pandemia também vem entrando na pauta das preocupações das políticas públicas, pois está havendo um aumento considerável de denúncias .

2. ESTATÍSTICA DE VCI DE 2019/2020:

     De acordo com dados disponibilizados pelo Disque 100, 2019 para 2020 o número de chamadas para reportar algum tipo de violência contra o idoso foi de 48,5 mil para cerca de 77 mil denúncias; houve um aumento de 53% no número de denúncias.

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3. NO AUGE DA PANDEMIA INÍCIO DE 2021 AUMENTA O NÚMERO DE VIOLÊNCIA CONTRA  O IDOSO.

     Já em 2021 o Ouvidor Nacional dos Direitos Humanos, relata que, já foram 37 mil notificações de violência contra os idosos, 29 mil delas sobre violência física. 

    A maior parte das vítimas tem entre 70 e 74 anos, 68% são do sexo feminino e 47% dos agressores são os filhos. As ocorrências mais frequentes são maus tratos, exposição a risco à saúde e constrangimento.

   A violência patrimonial, responsável por 9 mil denúncias . A maioria dos casos, segundo, envolvem utilização do cartão de crédito do idoso, empréstimos e transferência de propriedades.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

4- MEDIDAS PROTETIVAS   E   JUDICIAIS PARA OS  IDOSOS

As medidas protetivas previstas no EI ( Estatuto do Idoso) são de largo alcance e de caráter multidisciplinar, abrangendo também o encaminhamento para atendimento na área médica, da assistência social, psicologia e trabalho.

     Estas medidas abrangem tanto o idoso como os demais familiares ou acompanhantes que residem junto com aquele.

   Porém em muitos casos de violência ou maus-tratos doméstico ao idoso, são necessárias medidas judiciais coercitivas e criminalizadoras contra os agressores. 

  Importante ressaltar a Operação Vetus I,  que atua com a Polícia civil em todo país, no combate a violência  contra idosos, ação coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

  Iniciada em 2020, devido ao aumento crescente de denúncias,  apurou mais de 13 mil denúncias e resultou na prisão de mais de 570 agressores em todo o país. 

   O trabalho também prevê a instauração e conclusão de inquéritos, visitas a abrigos e residências de vítimas, cumprimento de mandados e medidas protetivas.

   A segunda etapa Vetus II está em andamento em 2021.


5-  A VIOLÊNCIA É UM PROCESSO SOCIAL RELACIONAL COMPLEXO E DIVERSO E QUE ATINGE COM MAIS IMPACTO O IDOSO EM FUNÇÃO DE SUA VULNERABILIDADE.

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6- PROTEGENDO NOSSOS IDOSOS :

A importância de Compreendermos para combater a violência.

   A importância de reconhecermos os sinais da violência contra o idoso.

  Criarmos um espaço de acolhimento.

Sabermos onde denunciar a violência contra o idoso.

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7-  AO LONGO DO TEMPO FOI IMPOSTO AO IDOSO  UM LUGAR SOCIAL DE INVISIBILIDADE.

ALGUMAS QUESTÕES PARA PENSARMOS :


*COMO NOSSA SOCIEDADE VÊ A DIMENSÃO SOCIAL DA VELHICE 


*COMO A CATEGORIA SOCIAL, AS DESIGUALDADES SOCIAIS  INTERFEREM NESTAS RELAÇÕES DE PODER


*COMO A DESQUALIFICAÇÃO SOCIAL DA VELHICE É REFORÇADA SOCIALMENTE


* COMO É BANALIZADA, CALADA, SILENCIADA  PELA SOCIEDADE E FAMÍLIA SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA, ABANDONO, NEGLIGÊNCIA COM ABUSOS


*COMO AS POLÍTICAS PÚBLICAS ESTÃO SE MOBILIZANDO PARA

ATENDE-LOS


*E O PLANEJAMENTO PARA O  FUTURO DE 2050, COM PROJEÇÃO DE  30% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA IDOSA


“ O TEMPO SOBRE O HOMEM, A VELHICE .

O VELHO NÃO TEM ARMAS E NÓS TEMOS QUE LUTAR POR ELES, POIS SÃO A FONTE DE ONDE JORRA A ESSÊNCIA DA CULTURA, PONTO ONDE O PASSADO SE CONSERVA E O PRESENTE SE PREPARA “ 


MARILENA CHAUÍ


Jane